Atendimento no Serviço de Urgência e internamento registam um aumento nas novas instalações Em funcionamento pleno desde o passado dia 1 de Março, os profissionais de saúde vão-se adaptando ao novo Hospital de Cascais, situado em Alcabideche, no âmbito de uma parceria público-privada. Passado um mês, o atendimento no Serviço de Urgência aumentou 30% e o internamento também registou um crescimento considerável.
Em declarações ao JR, João Varandas Fernandes, director clínico da unidade hospitalar, fez o balanço do primeiro mês de actividade nas novas instalações. "Foi um processo de transferência complexo que envolveu três unidades hospitalares: Hospital Ortopédico José de Almeida, Centro Hospital de Cascais e Hospital de Dia de Oncologia, mais de 270 doentes, mas que correu bem", sublinhou este responsável do Hospital de Cascais Dr. José de Almeida.
"Estamos numa fase de reestruturação organizacional e adaptação ao novo edifício", revelou ainda o director clínico, que considera que "temos dado uma resposta satisfatória. Aumentámos 30% o atendimento ao nível da Urgência e aumentámos também o número de internamentos, o que podemos considerar bastante positivo". Contudo, reforçou João Varandas, "há muitas coisas a melhorar. Todos os dias fazemos melhoramentos. Nunca há descanso. Nunca tudo está bem".
Ciclo de conferências
Entretanto, o auditório da unidade hospitalar recebeu, na passada quinta-feira, dia 25 de Março, a primeira Conferência HPP Hospital de Cascais. "Novos Desafios em Saúde e Gestão Hospitalar" foi o tema moderado por João Varandas e que teve como intervenientes José Miguel Boquinhas (presidente do Conselho de Administração da HPP Hospital de Cascais), Pedro Pitta Barros (Professor Catedrático da Universidade de Lisboa) e Carlos Costa (Subdirector da Escola Nacional de Saúde Pública).
"Será a parceria público-privada a morte do serviço público de saúde?", foi uma das questões colocadas, a que José Miguel Boquinhas respondeu: "Essa é uma pergunta provocatória. Esta comparação tem interesse para tirar ilações do modelo mais adequado; para ver o mais adequado daqui a alguns anos. Não tem a ver com o Serviço Nacional de Saúde, mas qual é o mais vantajoso. São os médicos que comandam tudo. No sector privado, temos médicos que só ganham o que produzem. No sector público, os médicos estão cá, enquanto, no sector privado, os médicos passam por lá. São modelos diferentes e cada um tem as suas características, por isso não se pode dizer se a gestão pública ou privada é boa ou má".
O ciclo de conferências vai decorrer até ao final do ano, disse ao JR João Varandas: "Só vai ser interrompido nos meses de Julho, Agosto e Dezembro. Todas as temáticas já estão agendadas. O nosso desafio é um contributo com vários temas, com o envolvimento da comunidade científica que integra a vida hospitalar".
Francisco Lourenço |