Atravessando uma fase de descredibilização política, José Sócrates aproveitou, ontem, a inauguração do novo hospital de Cascais para defender o que chamou de "credibilidade política", e mostrou obra feita dentro das despesas e do tempo previstos. Em homenagem ao médico e pioneiro na luta contra a tuberculose óssea, Dr. José de Almeida fundador do conhecido Hospital Ortopédico de Carcavelos -, o novo edifício hospitalar de Cascais, em Alcabideche, foi inaugurado ontem com o nome do antigo médico e benfeitor.
O primeiro-ministro descerrou a lápide, enquanto lá fora alguns militantes da CDU de Cascais e da JSD do Cacém se concentraram em frente ao edifício protestando simbolicamente - os primeiros contra a gestão em regime de parceria público-privada; os segundos pedindo um hospital para Sintra.
Uma extensa comitiva, integrada, para além de José Sócrates, pela ministra da Saúde, o ministro das Finanças e o presidente da Câmara de Cascais, entre muitos outros, visitou várias alas do hospital e ainda o primeiro doente internado.
O presidente do Conselho de Administração da HPP Saúde, gestora do hospital de Cascais (grupo Caixa Geral de Depósitos), destacou que o projecto terminou "sem derrapagem orçamental nem temporal e cumprindo o estipulado no contrato de parceria". Facto igualmente salientado pelo primeiro-ministro que apresentou o hospital como exemplo de "credibilidade política".
Todos os serviços do antigo hospital ortopédico passaram para Alcabideche, o mesmo acontecendo com os doentes que lá estavam internados, ficando desactivado. O presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, expressou a "expectativa" de que o Governo adapte aquelas instalações para uma unidade de cuidados continuados e paliativos e uma extensão do centro de saúde de Carcavelos. Questionada pelo JN, a ministra da Saúde, Ana Jorge disse: "Nada está decidido".
Texto: Isabel Teixeira da Mota |