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    Dois milhões com seguro de saúde (Correio da Manhã)  31.7.2009
     
       
    PROTECÇÃO MERCADO DOS SEGUROS CONTRA DOENÇA SUBIU 2.8%
    Dois milhões com seguro de saúde

    Cada vez mais portugueses procuram uma alternativa para fazer frente a listas de espera que ultrapassam os 500 mil utentes nos hospitais públicos

    PEDRO H.GONÇALVES*

    São cada vez mais os portugueses que optam por contratar um seguro de saúde. Nos primeiros seis meses do ano este segmento cresceu 2,8 por cento, abrangendo, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), mais de dois milhões de pessoas. Uma procura de protecção contra a doença que tem vindo a aumentar, em parte devido às listas de espera nos hospitais públicos. Em 2008, mais de meio milhão de pessoas aguardava por uma cirurgia no Sistema Nacional de Saúde, segundo dados oficiais.
    No total, este ramo do mercado segurador cresceu para os 284 milhões de euros. Com o aumento dos seguros de saúde, aumenta também a procura de cuidados nos três principais grupos de saúde privados do País.
    O grupo HPP Saúde, da Caixa" Geral de Depósitos, dona, por exemplo, do Hospital dos Lusíadas, registou no primeiro semestre um aumento da facturação de 130%, para 67 milhões de euros. No Espírito Santo Saúde, que entre outros detém o Hospital da Luz, as receitas subiram 17%, para 107 milhões de euros.
    Já a José de Mello Saúde, dos Hospitais CUF, apenas dispõe de dados do primeiro semestre referentes a internamentos, que subiram 3,5%; as consultas aumentaram 27,5% e as urgências 23,9%.
    Uma tendência que arrancou em 2008, quando um estudo revelou que as 40 empresas gestoras das clínicas privadas existentes em Portugal facturaram nesse ano 690 milhões de euros, mais oito por cento do que no ano anterior.
    Para o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, é "natural" o crescimento do sector privado. Pedro Lopes sublinha que isso não diminui nem a quantidade nem a qualidade dos hospitais públicos. "O sector privado está efectivamente a crescer, com algumas unidades de qualidade. Aparecendo estas unidades, é muito natural que esse crescimento acontecesse".
    Mas fora da saúde o mercado tem-se ressentido. O volume de prémios angariados pela totalidade do sector segurador em Portugal caiu 5,8 por cento no primeiro semestre, face a igual período do ano passado, para 6,69 mil milhões de euros. A maior quebra foi registada pelo ramo Vida, que caiu 6,2 por cento, para 4,6 mil milhões de euros.
     
    *com Lusa