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    Liga de futebol finta Governo e trata gripe A com privados (dn.pt) 4.8.2009
     
       
    Governantes reuniram-se com agentes desportivos, desdramatizando a influência da doença nas competições. Ao mesmo tempo, a Liga de futebol, que esperou 22 dias pela reunião com o Governo, anunciou uma parceria com a HPP
    A Liga de Futebol apresentou ontem o acordo com os Hospitais Privados de Portugal, para que seja a empresa de saúde, do Grupo Caixa Geral de Depósitos, a tratar do plano de contingência da gripe A, destinado a funcionários da Liga, árbitros, clubes e adeptos de futebol.
    Ao mesmo tempo que o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, reunia ontem em Lisboa com federações e agentes desportivos, a Liga de Clubes de Futebol Profissional apresentava, no Porto, o seu plano de intenções para lidar com a gripe A (H1N1). Depois de o DN ter dado conta do ambiente de mal-estar entre a Liga e o Governo por causa da demora da marcação de uma reunião para debater formas de precaução e combate à gripe A no futebol, o organismo desportivo decidiu apresentar o acordo com a HPP.
    Na apresentação do acordo com a empresa (cujos custos não foram revelados), o presidente da Liga, Hermínio Loureiro, vincou que a parceria, "extremamente importante", vai para lá da Gripe A. Mas as atenções estavam centradas no tema, até porque, ao mesmo tempo, decorria a reunião em Lisboa.
    Hermínio Loureiro tentou não entrar em polémicas, mas lembrou os passos da reunião falhada com o Ministério da Saúde: o pedido de um encontro, a 6 de Julho; a resposta do Governo, dia 28; e o cancelamento da reunião, no dia 30 (devido à marcação do encontro com todos os agentes desportivos, em Lisboa).
    Afinal, a apresentação da parceria com a HPP, no mesmo dia, foi uma "alfinetada" ao Governo? O presidente da Liga assegurou que o anúncio "já estava marcado". "A Liga já está a tratar do assunto [prevenção da gripe A] há muito tempo", frisou. De resto, o plano de contingência , que agora começará a ser delineado, vai ser feito "em articulação com o Ministério da Saúde", salientou Pedro Lima, da HPP.
    A partir da agora, a Liga reencaminhará qualquer problema para a HPP, que planeia reunir com todos os clubes associados. A empresa pretende ainda "usar os eventos desportivos como acções de sensibilização da população", explicou Pedro Lima.
    Ao mesmo tempo, elementos do Governo reuniam com agentes e federações desportivas, no Centro de Medicina Desportiva (Lisboa), sem comentários à opção da Liga, que também esteve representada no encontro. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, optou por desdramatizar as preocupações dos desportistas com a gripe A dizendo que, "neste momento" não há razões para o vírus H1N1 perturbar o normal desenrolar das competições.
    O governante admitiu que "não pode ser afastada" a hipótese de as provas serem interrompidas no futuro, mas que agora o cenário "não se coloca". Francisco Ramos esteve acompanhado pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, e pelo director-geral de Saúde, Francisco George. E frisou que o desporto não é um sector de risco que mereça "medidas específicas" de prevenção. Assim, a reunião "serviu para tirar dúvidas, passar informação e sensibilizar para as medidas a tomar, não só pelo atletas como por todas as áreas da sociedade".