Recursos humanos. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, diz que SNS pode competir pela liberdade de actuação que dá aos clínicos
O sector privado em Portugal "pode vir a atrair os melhores médicos se o SNS não encontrar condições para os captar", diz ao DN Pedro Nunes, o bastonário da Ordem dos Médicos. Em reacção à notícia de ontem do DN, que refere que centenas de médicos deixaram de trabalhar no sector público, o bastonário diz que o privado "é mais ágil em questões de concorrência e apresenta melhores condições".
Só os três maiores grupos privados - José de Mello Saúde, Espirito Santo Saúde e Hospitais Privados de Portugal - têm nos seus quadros mais de 700 médicos em regime de exclusividade, a que se juntam mais de mil a conjugar trabalho no público. Numa altura em que há uma maior escassez de clínicos nas unidades públicas, Pedro Nunes não esconde a preocupação de que o problema venha a agravar-se.
"Antes, os médicos tinham uma actividade privada em pequenos consultórios, que viviam da incapacidade de resposta do SNS. Mas hoje estão a começar a desaparecer porque começa a haver mais respostas". Apesar de 80 a 90% do trabalho do clínico ser numa unidade pública, a verdade é que os 10% do trabalho no consultório permitia ir buscar a compensação financeira que faltava, "apesar de ser um trabalho menos estimulante".
É por essa razão que acredita que, "quando o médico passar a ser um mero assalariado e perder essa almofada da iniciativa própria o SNS perderá capacidade para competir, porque as empresas tendem a ir buscar os melhores".
Um médico move-se de acordo com vários interesses, sendo um deles o ordenado. O bastonário acredita que há outros .nomeadamente "a progressão na carreira, a capacidade de diferenciação e de fazer melhor. Mas os privados começam também a ter acesso a elevada tecnologia, apesar de haver casos em que só o público tem essa capacidade"
Actualmente há três milhões de portugueses que são potenciais clientes dos serviços privados através dos seguros de saúde e dos subsistemas de saúde como a ADSE, o que tem aberto caminho ao investimento na área. D.M. |