Obra feita em Alcabideche também vai servir utentes de oito freguesias do concelho de Sintra, mas exclusivamente nas áreas de maternidade e pediatria.
A partir de terça-feira está prometida vida nova para as necessidades de saúde no concelho de Cascais com a abertura do novo hospital, em Alcabideche. Trata-se do primeiro a adoptar um modelo de gestão a estrear, integrado no Sistema Nacional de Saúde, mas fruto das novas parcerias público-privadas. Um dia depois da sua abertura, encerram definitivamente as portas do velho hospital, disfuncional e desadequado às exigências de uma população crescente e emparedado no complicado tecido urbano da vila de Cascais. A urgência do novo hospital começa a receber doentes no dia 28.
O novo hospital cobre um universo aproximado de 300 mil utentes. "Qualidade, humanização, conforto [os quartos terão entre uma e duas camas] e segurança serão a pedra de toque", disse ontem o presidente do conselho de administração da empresa Hospitais Privados de Portugal (HPP), José Miguel Boquinhas, na apresentação da unidade, anunciando também o "momento mágico que vivemos". "Este hospital será o mais moderno e tecnologicamente apetrechado, queremos que funcione sem papel e que tenha uma excelente acreditação de qualidade."
O médico José Varandas Fernandes, director clínico da nova unidade, deu ênfase à responsabilização clínica dos 160 médicos e 300 enfermeiros que ali vão trabalhar: "Os parâmetros de qualidade serão muito exigentes, e estou mesmo seguro de que este será o hospital mais exigente do país."
O processo de construção desta unidade chega assim ao fim, depois de vários problemas no seu percurso. O primeiro tropeção foi a recusa do visto do Tribunal de Contas ao contrato de gestão entre o Estado e a HPP, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. Os juizes manifestaram reservas ao processo concorrencial e ao resultado financeiro do contrato e concluíram que houve "alteração do perfil assistencial (...) a doentes infectados com VIH/Sida, e à eliminação da produção em hospital de dia médico em oncologia (...)", e manifestaram reservas sobre "a decisão de alterar a arquitectura do sistema de monitorização do desempenho". Como consequência, a nova unidade, que terá o nome de Dr. José de Almeida, derrapou dois anos na sua finalização.
A retirada da especialidade de oncologia foi uma das questões mais polémicas, e chegou em 2008 à Assembleia da República, graças a uma petição com quase 19 mil assinaturas. Mas o certo é que o novo hospital de Cascais vai assegurar aquele serviço (tratamento, cirurgia e internamento), em parceira com o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental - que integra os hospitais de Santa Cruz, São Francisco Xavier e Egas Moniz - e recorrendo para tal aos médicos destas unidades, que prestarão serviço em Cascais.
Quanto aos doentes infectados com VIH/Sida, o presidente do conselho de administração da HPP garantiu que o protocolo com a Administração Regional de Saúde estabelece que a assistência ficará ao cuidado dos médicos de Cascais.
O Estado vai pagar 400 milhões de euros por um contrato de dez anos com a HPP e que será renovável até ao limite de 30 anos.
Oito pisos, um heliporto
O novo hospital, com oito pisos, equipado com heliporto e Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), servirá todas as freguesias de Cascais, mais oito freguesias do concelho de Sintra (Algueirão/Mem Martins, Colares, Pêro Pinheiro, São João das Lampas, São Martinho, Santa Maria e São Miguel, São Pedro de Penaferrim e Terrugem), na área maternoinfantil.
272 camas, 10 mil cirurgias
Em termos de capacidade anual, o hospital propõe-se realizar 235 mil consultas, 98 mil diárias de internamento e 10.800 cirurgias. Os serviços têm capacidade para 272 camas, seis salas operatórias, dez quartos de partos, seis postos de hospital de dia, 26 gabinetes de consultas e unidade de cuidados especiais de neonatologia.
Especialidades e técnicas
O perfil assistencial do hospital compreende as especialidades médicas (a psiquiatria não existia na antiga unidade) e cirúrgicas (urologia é novidade), diagnóstico (mamografia, TAC e ecografia dispõem de novas técnicas) e terapêutica e unidades de urgência médico-cirúrgica.
Texto: Carlos Filipe |