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Estilo de vida artístico potencia riscos cardio-vasculares - médico (jornalbriefing.iol.pt) 7.12.2009
 
   
Lisboa, 07 Dez (Lusa) - Ao desistir do tabaco, a fadista Mafalda Arnauth libertou a sua "verbalidade toda" e alerta agora para os riscos cardio-vasculares no meio artístico, que conhece bem.

Convidada por um grupo privado de hospitais, Mafalda não hesitou em "passar palavra" sobre a "ansiedade artística", que pode ser "quase mortífera", mas que pode ser contrariada.

O coordenador do Departamento Cardiovascular do Hospital dos Lusíadas (Lisboa), Victor Gil, garante que "não há nenhuma maldição sobre a cabeça dos artistas", mas são "evidentemente uma população mais em risco".

Os horários fora do comum, a propensão nocturna para "mais fumo, álcool e petiscos do que o habitual" e o stress são comuns. Por isso, a solução terá de passar por descanso adequado, exercício físico, não fumar e ter uma alimentação equilibrada.

Uma prevenção que não serve para "criar uma sociedade de anjinhos, mas para chamar atenção das pessoas, que sabem estas coisas, mas esquecem", realça o médico.

Além do contentamento em libertar-se da "escravatura tremenda" do tabaco, Mafalda Arnauth lembra a "situação marcante" da morte do músico e "amigo queridíssimo" José António, que faleceu de ataque de coração, aos 33 anos.

"Era um fumador e com elementos de risco. Foi tão inesperado que, provavelmente, se não houvesse todos estes ingredientes talvez ainda fosse um jovem vivo", diz, referindo ainda o caso do fadista Carlos Zel, que também teve problemas cardíacos.

"Começa a ser quase recorrente as pessoas terem uma fragilidade vascular, cardíaca, terem de recorrer a bypass ou a pacemaker", frisa Mafalda, que, por isso, decidiu repetir a mensagem de que "o coração é tão bonito e tem de bater por mais anos".

Na sua vida, Mafalda segue uma alimentação regrada, com as devidas excepções, e é a "antítese" do estereótipo da fadista, preferindo aproveitar o dia e não a noite.

Sobre consumo de drogas no meio artístico, diz que a fase mais pesada de dependências "já foi ultrapassada".

E para enfrentar o que considera ser o maior factor de risco, o stress, deixa alguns conselhos: "Relaxem, meditem ou pelo menos estravasem tudo o que é preciso."

Para os artistas, para aqueles que pensam que o são ou sonham vir a ser, sugere "o concerto pessoal ao final do dia, em casa ou no carro, cantar a plenos pulmões ou gritar, que é algo que liberta".

PL.

Lusa/fim.
 


 
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