O Projecto de responsabilidade social pretende alertar as gerações
mais novas para as questões relacionadas com a saúde, destacando
a importância da prevenção e adopção de estilos de vida saudáveis.

 
   
  Os atletas do Projecto Olímpico Londres 2012 contam com a experiência
da HPP Saúde na sua preparação para esta importante missão.

 
   
  Acesso privilegiado e com condições exclusivas na rede HPP Saúde.
A melhor opção para a saúde!

 
   
  Queremos estar mais perto de si, por isso criámos a Revista We,
onde pode conhecer melhor o Mundo HPP Saúde
e os seus colaboradores.

     
     
     
    HomePage > Comunicação > Somos Notícia > Entrevista a João Ribeiro: Jogos da Lusofonia têm uma importância "decisiva" para a Comunidade Lusófona (Semanário)  
     
    Entrevista a João Ribeiro: Jogos da Lusofonia têm uma importância "decisiva" para a Comunidade Lusófona (Semanário) 7.8.2009
     
       
    Os II Jogos da Lusofonia terminaram há mais de duas semanas, mas é neste momento chegada a hora de fazer balanços. João Ribeiro, Director Executivo dos II Jogos da Lusofonia em entrevista ao SEMA- NÁRIO, explicou que a nível financeiro "com [3 milhões de euros], cerca de um quinto do orçamento da primeira edição", a organização dos II Jogos da Lusofonia operou um verdadeiro milagre. Para este responsável, "os Jogos foram um sucesso", considerando que a importância dos Jogos da Lusofonia para a Comunidade Lusófona: "É decisiva. Muito mais importante que a CPLP." Nem a falta de público apaga o sucesso da prova, pois "nalguns jogos de futebol superámos a média de assistência na Liga de Futebol", justificou.

    JOÃO PINHEIRO DA COSTA

    - Qual é o balanço que faz dos II Jogos da Lusofonia?

    - Este tipo de organizações deve obedecer a critérios de avaliação objectivos baseados em comparações com edições anteriores - é a única comparação justa.

    - E é uma comparação positiva?

    - Trata-se de uma segunda edição de um evento da sociedade civil - dos Comités Olímpicos de 12 países e regiões. Ora, com cerca de um quinto do orçamento da primeira edição (e um sétimo do financiamento público da primeira edição), a organização da segunda edição conseguiu ter mais países participantes, mais modalidades, mais atletas, mais competição feminina, mais horas de transmissão televisiva, mais público, mais notoriedade, mais países a conquistarem medalhas de ouro, melhores marcas pessoais, mais equilíbrio competitivo, mais programação científica e cultural. Por todas estas razões considero que os Jogos foram um sucesso.

    - A falta de público não estragou a festa?

    - A falta de público não foi generalizada, ao contrário do que a transmissão televisiva no canal 1 da RTP dos Jogos de Portugal em Futebol e Futsal possa ter dado a perceber. No Judo, no Taekwondo, no Basquetebol, no Atletismo e no Voleibol de Praia tivemos muito público - também nos Jogos de Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe no Futebol e no Futsal. Aliás, nalguns Jogos de Futebol superámos a média de assistência na Liga de Futebol Portuguesa no Estádio José Gomes sem contabilizarmos os jogos com os três grandes. Não me lembro de tanto público a assistir a competições de Taekwondo como aconteceu nos Jogos. E será inesquecível a final de Basquetebol Masculino com o Pavilhão de Almada com lotação esgotada e um ambiente fantástico. Pelo que não concordo que tenha havido falta de público generalizada.

    - Não existia uma data mais propicia para o público?

    - A data não é uma decisão exclusiva da organização. Tem em conta os pareceres dos Comités Olímpicos, das federações desportivas nacionais do país organizador e os calendários internacionais das várias federações desportivas internacionais. A data foi a possível.

    - O "sonho" inicial está perto da realidade?

    - Está obviamente mais perto. É uma oportunidade fantástica para muitos atletas. Muitos destes países nunca podem ir a Jogos Olímpicos a não ser por convite em modalidades mais tradicionais. Estes Jogos permitem-lhes adquirir experiência competitiva internacional convivendo com atletas de outro nível técnico e profissional. Tenho a certeza que mudámos a vida de muitos atletas participantes para melhor e para sempre. Os Jogos são o maior evento internacional realizado a pretexto da língua portuguesa. O sonho é que se tornem progressivamente no grande momento da lusofonia, dentro de si própria, mas também projectada para o resto do mundo e para o resto das realidades linguístico-culturais.

    - O que poderia ter sido feito de maneira diferente?

    - Tudo e nada. Não fizemos tudo o que sabíamos. Mas fizemos tudo o que podíamos. Mantendo-se as mesmas condições estruturais e institucionais nada teria sido feito de maneira diferente. Com outras condições estruturais e institucionais tudo teria sido feito de maneira diferente.

    - Em orçamento estavam 3 milhões de euros. Não é um orçamento reduzido para um evento desta dimensão?

    - O orçamento foi objecto de sucessivas revisões num esforço de adaptação à nova realidade económica e social do país (a decisão de organizar os Jogos foi tomada em Outubro de 2006), aos orçamentos de marketing disponíveis no sector empresarial e ao tempo e quantitativo que acabou por ser disponibilizado pelas instituições públicas portuguesas. Tivemos também um decisivo apoio do Instituto do Desporto de Macau - decisivo sobretudo pelo momento em que foi atribuído. Neste tipo de organizações é mais importante receber os apoios atempadamente do que propriamente a quantidade dos mesmos.

    - Como vê esta situação?

    - No relatório será feita uma análise custobenefício. Estou em condições de adiantar que Portugal beneficiou mais do que os custos que suportou. E se compararmos com outros eventos da mesma natureza e dimensão é um orçamento muitíssimo abaixo do que é normal.

    - Como se financia um evento deste nivel?

    - Numa fase inicial como esta tem que depender, em grande medida, de financiamento público. Tentámos que o financiamento público governamental não ultrapassasse os 50% do orçamento. Penso que esse objectivo será alcançado. Há um pequeno contributo dos Comités membros da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa. O restante resulta fundamentalmente de patrocínios em espécie e financeiros de entidades empresariais a par do apoio das várias Câmaras Municipais envolvidas. Foi fundamental o papel dos Jogos da Santa Casa, do Continente, da Portugal Telecom, da HPP Saúde, da Mota-Engil, da Generali e das Águas do Luso. As receitas com bilheteira e merchandising são marginais. Aliás, uma grande fatia das receitas de bilheteira vai ser doada à UNI- CEF.

    - Não apagando o seu simbolismo, a cerimónia de abertura dos Jogos não teve, aparentemente, a grandiosidade de outros eventos (recordo a Expo 98 e o Euro 2004). A que se deveu este facto?

    - Não podia nem devia ter. É um equilíbrio difícil. Seria incompreensível uma fantástica cerimónia com um luxuoso jantar de recepção num evento que recebe atletas de países com tão grandes dificuldades estruturais. Alguns atletas viram uma pista de tartan pela primeira vez na vida. Acresce que seria inaceitável no actual contexto económico e social. Mas não podia deixar de ser uma cerimónia bonita que orgulhasse todos os participantes. Penso que isso foi alcançado e mais notório na transmissão televisiva da mesma.

    - Como vê o facto de ter sido cancelada, em cima da hora, a prova de demonstração "1500 m Cadeira de Rodas"?

    - Como sabe, tratava-se de uma prova de demonstração, organizada com o Comité Paralímpico de Portugal. Não foi possível reunir um número suficiente de atletas que dignificasse a demonstração. O facto de ser em cima da hora resulta do cumprimento de regulamentos de competição e de decisões técnicas tomadas em sede de câmara de chamada anterior às provas, procedimento igual a qualquer prova internacional.

    - A organização não deveria ter tido precaução em salvaguardar estes atletas?

    - Como já referi, foi uma decisão técnica, numa prova de demonstração (destinada precisamente a testar a capacidade de inclusão do desporto para deficientes nos Jogos) relativamente à qual a organização pouco poderia fazer. Alguns Comités Olímpicos não cumpriram escrupulosamente os prazos de acreditação, o que teria permitido à organização antecipar a probabilidade de cancelamento. O Francisco Pina terá sabido que, pela primeira vez, houve uma reunião do Movimento Paralímpico Lusófono - um dos legados dos Jogos. Está em curso o estudo para a inclusão do movimento e do desporto paralímpico na programação desportiva oficial dos Jogos da Lusofonia.

    - A nível de instalações, a organização teve o melhor à sua disposição?

    - Beneficiámos da grande qualidade do Pavilhão Atlântico, não só das instalações mas também da equipa que lá trabalhasó assim foi possível numa semana termos quatro modalidades, cerimónia de abertura, centro de imprensa, centro de acreditação, salas administrativas dos Comités, tudo concentrado num só local. Tivemos algumas dificuldades com o Atletismo - a Federação Internacional não reconhecia qualidade a nenhuma pista da área metropolitana de Lisboa para a realização da competição. Foi um grande investimento da organização na recuperação das duas pistas do Estádio Universitário - mais um legado dos Jogos - e que estão em processo de certificação internacional.

    - Com todo o respeito pelas gentes da Reboleira. Considera que o Estádio José Comes foi a melhor opção para realizar o torneio de futebol dos Jogos?

    - Sim. Pela sua dimensão, pelo seu enquadramento populacional, pela disponibilidade do Estrela da Amadora (que atravessa um período conturbado) e da Câmara Municipal da Amadora, pela existência de um segundo campo essencial para treino e aquecimento, tendo em conta o ritmo de jogos, pela iluminação - não restavam grandes alternativas. As que existiam eram financeiramente insustentáveis para a organização.

    - O Estádio do Restelo, Luz, Alvalade, Inatel e entre outros mais não teriam sido um melhor cartão de visita a um país que pretende a vir a organizar uns Jogos Olímpicos?

    - Nenhum dos que refere podia receber os Jogos - uns por razões financeiras, outros por não reunirem condições para transmissão televisiva, outros por indisponibilidade das respectivas direcções.

    - Portugal está preparado para organizar os Jogos Olímpicos?

    - Não. Eu costumo colocar a questão ao contrário. Eu gostava de viver num país que em 2024 tivesse condições para organizar uns Jogos Olímpicos - seria mais um resultado natural de um determinado nível de desenvolvimento do que um seu pressuposto. Mas permaneço optimista.

    - Uma das maiores queixas que se ouviu dos atletas foi a falta de competitividade... As federações estiveram bem nesse aspecto?

    - De quais atletas? As Federações não têm responsabilidade directa nessa matéria. O nível competitivo é o que é. Pode ser melhorado com sistemas de competição alternativos que foram testados no basquetebol e no futebol (com grupos e fases preliminares). Os sistemas competitivos resultam de um consenso entre organização, comités olímpicos e federações internacionais. Houve melhorias significativas face à primeira edição. A tendência será sempre melhorar. Há uma tendência crescente para emigrantes dos vários países representarem o seu país de origem e não o de acolhimento. Cabo Verde, por exemplo, trouxe vários atletas que estudam ou competem nos Estados Unidos e

    noutros países europeus. E a lusofonia é o que é. Os riscos e inconvenientes de algum desequilíbrio competitivo não são suficientes para justificar que não haja Jogos - logo não me parece que seja uma questão essencial, sendo claramente importante e passível de significativas melhorias.

    - Qual é a importância dos Jogos da Lusofonia para a Comunidade Lusófona?

    - É decisiva. Muito mais importante que a CPLP. Muito mais perto das pessoas, dos jovens. Desde as centenas de jovens voluntários que ficaram para sempre marcados pelo espírito da lusofonia, até aos jovens atletas, futuros dirigentes desportivos e políticos, que não esquecerão a sua experiência e a sua vivência forçosamente baseada em diálogo intercultural.

    - Que mensagem deve (ou devia) ser transmitida através dos Jogos?

    - A principal mensagem sublinha que, sem esbater as ricas diferenças na Lusofonia, existe um espaço de partilha, de segurança, de afectos e sabores que é uma língua comum, de todos e por todos enriquecida diariamente. Num mundo tão competitivo, tão agressivo, com tanto predomínio dos blocos anglófono, francófono e hispanófono, é mais uma oportunidade de valorização da língua comum - muito fragilizada nalguns destes países. Damos valor à língua com estes Jogos. Transmitimos a milhares de jovens a importância de

    aprenderem bem a língua portuguesa como factor potenciador de mais oportunidades pessoais.

    - Agora, resta-nos esperar por 2013... Goa foi uma boa escolha?

    - Foi uma escolha fantástica. É a sublime consagração do desporto como o mais poderoso instrumento de diálogo intercultural e de relações internacionais. Só um trágico equívoco das elites dirigentes portuguesas impediria o reconhecimento da importância estratégica deste reencontro com a história
    Listagem de Ficheiros
    .
     
    > entrevistajogosluso.*.pdf