Pandemia. Governantes reuniram-se com agentes desportivos, desdramatizando a influência da doença nas competições. Ao mesmo tempo, a Liga de futebol, que esperou 22 dias pela reunião com o Governo, anunciou uma parceria com a HPP
RUI MARQUES SIMÕES
A Liga de Futebol apresentou ontem o acordo com os Hospitais Privados de Portugal, para que seja a empresa de saúde, do Grupo Caixa Geral de Depósitos, a tratar do plano de contingência da gripe A, destinado a funcionários da Liga, árbitros, clubes e adeptos de futebol. Ao mesmo tempo que o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, reunia ontem em Lisboa com federações e agentes desportivos, a Liga de Clubes de Futebol Profissional apresentava, no Porto, o seu plano de intenções para lidar com a gripe A (H1N1). Depois de o DN ter dado conta do ambiente de mal-estar entre a Liga e o Governo por causa da demora da marcação de uma reunião para debater formas de precaução e combate à gripe A no futebol, o organismo desportivo decidiu apresentar o acordo com a HPP. Na apresentação do acordo com a empresa (cujos custos não foram revelados), o presidente da Liga, Hermínio Loureiro, vincou que a parceria, "extremamente importante", vai para lá da Gripe A. Mas as atenções estavam centradas no tema, até porque, ao mesmo tempo, decorria a reunião em Lisboa. Hermínio Loureiro tentou não entrar em polémicas, mas lembrou os passos da reunião falhada com o Ministério da Saúde: o pedido de um encontro, a 6 de Julho; a resposta do Governo, dia 28; e o cancelamento da reunião, no dia 30 (devido à marcação do encontro com todos os agentes desportivos, em Lisboa). Afinal, a apresentação da parceria com a HPP, no mesmo dia, foi uma "alfinetada" ao Governo? O presidente da Liga assegurou que o anúncio "já estava marcado"."A Liga já está a tratar do assunto [prevenção da gripe A] há muito tempo", frisou. De resto,o plano de contingência, que agora começará a ser delineado, vai ser feito "em articulação com o Ministério da Saúde", salientou Pedro Lima, da HPP. A partir da agora, a Liga reencaminhará qualquer problema para a HPP que planeia reunir com todos os clubes associados. A empresa pretende ainda "usar os eventos desportivos como acções de sensibilização da população", explicou Pedro Lima.
Governo desdramatiza
Ao mesmo tempo, elementos do Governo reuniam com agentes e federações desportivas, no Centro de Medicina Desportiva (Lisboa), sem comentários à opção da Liga, que também esteve representada no encontro. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, optou por desdramatizar as preocupações dos desportistas com a gripe A dizendo que, "neste momento" não há razões para o vírus H1N1 perturbar o normal desenrolar das competições. O governante admitiu que "não pode ser afastada" a hipótese de as provas serem interrompidas no futuro, mas que agora o cenário "não se coloca". Francisco Ramos esteve acompanhado pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, e pelo director-geral de Saúde, Francisco George. E frisou que o desporto não é um sector de risco que mereça "medidas específicas" de prevenção. Assim, a reunião "serviu para tirar dúvidas, passar informação e sensibilizar para as medidas a tomar, não só pelo atletas como por todas as áreas da sociedade".
Mais 22 doentes, num total de 342
Portugal registou ontem 22 novos casos de gripe A, elevando assim para 342 o total de infectados, desde 4 de Maio, informou ontem o Ministério da Saúde. De acordo com o comunicado da tutela, os novos doentes estão clinicamente bem. Dois dos novos infectados encontram-se internados, devendo ter alta hospitalar hoje, precisa o comunicado do ministério liderado por Ana Jorge. Das 22 novas situações contabilizadas, a maioria refere-se a jovens adultos e cinco a menores. Do total, nove são casos de transmissão secundária, que foram identificados pelos hospitais de Faro, de São João, no Porto, da Universidade de Coimbra, do Espirito Santo, em Angra do Heroísmo, Açores, e no Curry Cabral, em Lisboa. O Ministério da Saúde ressalva ainda, no comunicado, que as pessoas infectadas com o vírus H1N1 "têm vindo a retomar a sua vida diária, com normalidade", e que "não existiu, na maioria dos casos, necessidade de internamento hospitalar". |