José Miguel Boquinhas, administrador da HPP Saúde defendeu que a parceria público privada no Hospital de Cascais vai trazer mais rigor e exigência à gestão e mais qualidade nos cuidados de saúde prestados à população
Risco, desafio, rigor e exigência foram algumas das palavras-chave do debate que se centrou na gestão hospitalar privada no Fórum Saúde, promovido pelo jornal Diário Económico, em Lisboa, no dia 8 de Abril. José Miguel Boquinhas, administrador da HPP Saúde, participou na discussão e revelou que confia num resultado positivo para a Parceria Público Privada (PPP) no Hospital de Cascais. Apesar da incerteza e risco implicados neste modelo de gestão, afirmou que, enquanto operador privado, a gestão rigorosa e o cumprimento dos exigentes parâmetros de desempenho só podem trazer mais qualidade aos cuidados prestados à população. “Sei que se conseguirmos cumprir os 83 indicadores de desempenho definidos pelo Estado, conseguiremos equipararmo-nos aos melhores hospitais de referência do mundo. Seremos tão bons quanto uma Clínica Mayo ou a um Mount Sinai Hospital”, disse.
Moderado pelo jornalista do Diário Económico, Mário Baptista, o debate contou ainda com as intervenções de Adalberto Campos Fernandes, presidente do Conselho de Administração do Hospital Santa Maria, Isabel Vaz, presidente da Espírito Santo Saúde, Artur Vaz, presidente do Hospital Amadora Sintra e Pedro Roldão, vogal do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Numa época em que a racionalização dos custos e a contenção da despesa está na ordem do dia, Isabel Vaz sublinhou que“o risco recai sobre os operadores privados, os quais têm provado uma resiliência extraordinária e uma enorme capacidade de investimento, tendo em vista uma futura reestruturação do sector”. Quanto às PPP, a presidente da Espírito Santo Saúde mostrou-se céptica afirmou não acreditar na possibilidade de um casamento feliz entre o Estado e os privados. “As PPP estão hoje muito regulamentadas, com contratos muito fechados, condicionando até a inovação que os privados possam trazer. Os privados sentem que não são bem-vindos. Este é um sector difícil”, afirmou a responsável.
Na opinião de José Miguel Boquinhas é irrelevante se “as PPP são casamentos por amor ou por interesse”. Para o administrador da HPP Saúde, há que ter consciência que “é um modelo complexo, difícil para ambas as partes e que só uma avaliação objectiva do processo poderá dizer se é um modelo a seguir no futuro”. Segundo o responsável, cuja experiência já lhe permitiu experimentar os diferentes modelos de gestão implementados em Portugal, este é um modelo que oferece uma maior na flexibilidade de contratualização, nomeadamente de médicos e outros profissionais de saúde. Por outro lado, sublinhou que, sendo um operador privado, a gestão é diferente quando se trata de administrar um hospital público ou um hospital privado. “Desde logo, na gestão de um hospital público não existe a preocupação de captar clientes. Porém, estamos certos que no final são os cidadãos quem fica a ganhar, porque vão passar a usufruir de um serviço de qualidade superior”.