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Grupos privados de Saúde aplaudem novos cursos de medicina (Diário Económico/Universidades)  22.12.2009
 
   
Mariano Gago autorizou a entrada em funcionamento de um novo curso de Medicina na Universidade de Aveiro, em 2011, e a polémica instalou-se. A Ordem dos Médicos critica a decisão e diz que Portugal vai formar médicos para o desemprego.

Do lado dos privados, os responsáveis dos grandes grupos admitem que neste momento há falta de médicos e assumem a dificuldade de recrutamento em algumas especialidades (clínica geral, por exemplo), como reconheceu a direcção de um grupo privado de Saúde que não quis ser identificada.

O grupo HPP Saúde garante que o mercado tem capacidade para absorver mais médicos especializados. "Com o investimento e dinamismo que o sector privado tem vindo a assumir, é natural que o mercado possa absorver mais profissionais diferenciados. A abertura deste novo curso irá colmatar a menor oferta existente em algumas especialidades médicas", garantiu Susana Moreira da Silva, directora de Recursos Humanos da HPP Saúde.

"Congratulamo-nos com a criação de um novo curso e de uma nova faculdade de Medicina porque permite colmatar a escassez de médicos", reforça Teófilo Leite, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, que também defende a criação de uma faculdade de Medicina privada, com os hospitais privados responsáveis pela formação prática dos estudantes de Medicina.

Do lado do Governo, todos falam a uma só voz: o primeiro-ministro José Sócrates, o ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, e a ministra da Saúde, Ana Jorge, uniram esforços para justificar a criação de um novo curso de Medicina na Universidade de Aveiro, que começará com 40 novas vagas e evoluirá para 120. Garantem que há uma grave falta de médicos em Portugal e que a solução para resolver o problema é criar novos cursos e abrir mais vagas, reforçar o ensino de Medicina em Portugal em "quantidade e qualidade".

"Estamos a importar médicos. Temos de criar novas ofertas de cursos de Medicina para que o país disponha mais rapidamente dos médicos necessários", disse José Sócrates na cerimónia de oficialização do curso. O Ministério da Saúde revela que faltam entre 300 e 400 médicos de família e em 2013 o cenário poderá ser pior.

Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, também confirma a carência de profissionais de saúde (há cerca de 30 mil no activo), mas defende que "a falta de médicos não se resolve atirando mais estudantes para as universidades". "Não há razão que justifique a abertura de novas faculdades de Medicina", diz, sublinhando que o problema é imediato e os futuros médicos só poderão começar a trabalhar daqui a dez anos.

Sobre os hospitais privados, diz que "não estão dispostos a pagar para ter médicos em formação". "Daqui a quatro anos, vão estar a sair das universidades cerca de dois mil médicos por ano. Numa situação de crise económica generalizada, é certo que não vão ter emprego".

Para Pedro Nunes, a solução passa por reduzir o número de vagas para 1200. O bastonário fala de uma "dispersão regional", que dificulta a aproximação entre os diferentes cursos.

Sobre os novos cursos de Medicina no Algarve e em Aveiro, cujo acesso é reservado a licenciados, Pedro Nunes diz que "é um tipo de ensino muito difícil e especial", inspirado nas experiências de Harvard e do Kings College.

Maria Helena Nazaré, reitora da Universidade de Aveiro, tem elevadas expectativas face ao curso que receberá os primeiros estudantes em 2011: "É um curso que faz falta ao país e que a Universidade de Aveiro e o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar têm condições de concretizar" . O objectivo é colmatar a "necessidade de mais licenciados em Medicina".

No Algarve, onde existe um curso de Medicina desde Setembro, o reitor João Guerreiro faz um balanço positivo. As prioridades da universidade passam pela construção de instalações definitivas (em 2010), o reforço das relações com as instituições de saúde e o alargamento do corpo docente.
 
Bárbara Silva

 
 


 
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