Federações das várias modalidades preparam medidas de contingência para a gripe. Basquetebolistas já têm reservas de Tamiflu, máscaras e desinfectantes.
Alda Martins
"Não há qualquer razão para pensar na paragem dos campeonatos [incluindo o de futebol]" por causa da gripe A. Foi assim que Francisco Ramos, secretário de Estado da Saúde, respondeu ontem aos jornalistas. À saída de uma reunião que juntou responsáveis de todas as modalidades desportivas e as autoridades de saúde, Francisco Ramos disse que "passámos toda a informação e recomendações aos dirigentes desportivos em matéria de gripe A". O responsável do Governo lembrou que há muitas federações que já têm o seu plano de contingência e outras que estão a tomar as medidas necessárias. "Não há um risco acrescido para os desportistas. Provavelmente até menos", acrescentou Francisco Ramos. Fonte do sector disse ao Diário Económico que os desportistas tem sempre equipas médicas a acompanhar a sua modalidade e, por isso, estão mais aptas a responder a situações de crise. No dia em que a Federação Nacional de Futebol anunciou um acordo com a HPP no âmbito do seu Plano de Contingência para a gripe A (ver caixa), o secretário de Estado da Saúde lembrou a importância da informação sobre a doença como forma de prevenção. Francisco Ramos não esconde que, apesar da situação estar estável, e não haver necessidade de criar qualquer planos específico para os atletas, é "essencial manter uma estratégia de contenção e preparar aquilo que deverás ser uma pandemia dentro de algum tempo". Foi neste sentido que o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mota, elogiou a iniciativa: "Penso que é importante que haja reuniões deste tipo sempre que possam contribuir para o esforço público de travar a pandemia da gripe". Fernando Mota assegura que a federação que preside já tomou várias medidas no sentido que esclarecer os atletas sobre as formas de contágio e prevenção. "Aquilo que o atleta deve saber não é diferente do que o que deve saber o cidadão comum", refere, recusando a ideia de que possa haver desportos mais propensos ao contágio. Apesar da mensagem tranquilizadora que saiu da reunião de ontem, a Federação Nacional de Atletismo já tem em execução um plano de contingência: comprou Tamiflu - que colocou à disposição das equipas que se deslocam ao estrangeiro -, máscaras e desinfectantes hospitalares. Para além disso, tem sido feito um levantamento dos hospitais que, no estrangeiro, estão aptos a receber atletas. Este é também um aspecto reforçado pelo médico da Federação Portuguesa de Basquetebol. Ao Diário Económico António Valério Rosa disse que "sabemos sempre o local de referência para tratar a gripe em cada local". Foi o que aconteceu recentemente quando a selecção se deslocou a Itália. "Os jogadores são também informados de todas as precauções". Quanto à medicação: "A normal. Não fizemos qualquer reserva de Tamiflu". Sobre a possibilidade de, ao contrário do futebol, o basquetebol poder ser mais propenso à gripe por ser praticado em recinto fechado, António Valério Rosa não esconde que os recintos fechados têm um risco acrescido mas isso é válido para qualquer recinto: das discotecas aos centros comerciais. |