Ao desistir do tabaco, a fadista Mafalda Arnauth libertou a sua «verbalidade toda» e alerta agora para os riscos cardio-vasculares no meio artístico, que conhece bem
Convidada por um grupo privado de hospitais, Mafalda não hesitou em «passar palavra» sobre a «ansiedade artística», que pode ser «quase mortífera», mas que pode ser contrariada.
O coordenador do Departamento Cardiovascular do Hospital dos Lusíadas (Lisboa), Victor Gil, garante que «não há nenhuma maldição sobre a cabeça dos artistas», mas são «evidentemente uma população mais em risco».
Os horários fora do comum, a propensão nocturna para «mais fumo, álcool e petiscos do que o habitual» e o stress são comuns.
Por isso, a solução terá de passar por descanso adequado, exercício físico, não fumar e ter uma alimentação equilibrada.
Uma prevenção que não serve para «criar uma sociedade de anjinhos, mas para chamar atenção das pessoas, que sabem estas coisas, mas esquecem», realça o médico.
Além do contentamento em libertar-se da «escravatura tremenda» do tabaco, Mafalda Arnauth lembra a «situação marcante» da morte do músico e «amigo queridíssimo» José António, que faleceu de ataque de coração, aos 33 anos.
«Era um fumador e com elementos de risco. Foi tão inesperado que, provavelmente, se não houvesse todos estes ingredientes talvez ainda fosse um jovem vivo», diz, referindo ainda o caso do fadista Carlos Zel, que também teve problemas cardíacos.
«Começa a ser quase recorrente as pessoas terem uma fragilidade vascular, cardíaca, terem de recorrer a bypass ou a pacemaker», frisa Mafalda, que, por isso, decidiu repetir a mensagem de que «o coração é tão bonito e tem de bater por mais anos».
Na sua vida, Mafalda segue uma alimentação regrada, com as devidas excepções, e é a «antítese» do estereótipo da fadista, preferindo aproveitar o dia e não a noite.
Sobre consumo de drogas no meio artístico, diz que a fase mais pesada de dependências «já foi ultrapassada».
E para enfrentar o que considera ser o maior factor de risco, o stress, deixa alguns conselhos: «Relaxem, meditem ou pelo menos extravasem tudo o que é preciso».
Para os artistas, para aqueles que pensam que o são ou sonham vir a ser, sugere «o concerto pessoal ao final do dia, em casa ou no carro, cantar a plenos pulmões ou gritar, que é algo que liberta».
Lusa / SOL |