O seminário que decorreu no Aquameeting debateu o estado do Turismo de Saúde e Bem-Estar, e apresentou as últimas tendências para este segmento que continua a crescer
"É preciso posicionar a oferta de Turismo de Saúde e Bem-Estar e apostar em investir na competitividade deste produto, através da sua identificação, sistematização e organização estratégica", defendeu Javier Blanco, director para os membros afiliados da Organização Mundial de Turismo (OMT), durante a sua intervenção, a primeira do Seminário Internacional de Turismo de Saúde e Bem-Estar.
Recorde-se que este evento inseriu-se na programação do Aquameeting - II Encontro Internacional de Turismo de Saúde e Bem-Estar, que aconteceu de 26 a 28 Março no centro de congressos da Alfândega do Porto. Javier Blanco chamou a atenção para o facto de os profissionais que trabalham este produto terem a necessidade de "gerir a informação com maior rigor e rapidez para fazer a diferença", através do uso da tecnologia no intuito de aumentarem a competitividade e a produtividade, ao mesmo tempo que reduzem os custos.
"Os clientes mudaram e isso obriga a que os negócios mudem também e se adaptem à nova realidade", alertou o responsável dizendo que "a confiança do crescimento moderado este ano servirá sobretudo para estabelecer estratégias para o êxito num contexto difícil". O responsável lembrou que o Turismo de Saúde e Bem-Estar ganha cada vez mais força porque "assenta numa filosofia e necessidade características das sociedades ocidentais desenvolvidas e que passa pela 'obsessão' pela saúde e bem estar físico e emocional".
O Turismo de Saúde e Bem-Estar "é um fenómeno de dimensão global que tem vindo a registar crescimentos significativos desde há 20 anos". Além disso, observou que "é uma indústria fragmentada, dominada pelas PMES", e que "falta ainda informação sistematizada (como dados estatísticos, barómetros, inventários) e estruturada sobre a oferta que existe relativamente a este produto".
Javier Blanco acredita que é fundamental "configurar os produtos distintos dentro deste segmento específico assim como a oferta combinada associada a outros produtos". O responsável considerou que no que toca ao Turismo de Saúde e bem-Estar nos destinos "há que existir a cooperação pública e privada concertada".
Na sua apresentação, Javier Blanco deu ainda exemplos da presença deste produto no online, enquanto "produto estratégico nos planos de marketing de empresas e destinos, que ajuda a combater a sazonalidade, e que contribui para a diversificação e maior percepção global do destino". O responsável falou também do caso de marketing de Huelva, que se promove como um destino saudável "Huelva, La Luz", e cuja mensagem é: "Vir a Huelva faz bem à saúde", exemplificou.
Em suma, Javier Blanco olha para o futuro deste segmento com optimismo uma vez que "a preocupação das pessoas com o bem-estar continua a crescer; é um produto que atrai clientes de várias faixas etárias (que vai dos 29 aos 85 anos); existem cada vez mais centros de bem-estar integrados (holísticos) que complementam as vertentes lúdica e terapêutica; e porque é um produto/experiência bastante personalizado", concluiu.
MARCA COM IDENTIDADE REGIONAL
Este seminário dedicado às tendências actuais do Turismo de Saúde e Bem-Estar contou também com Agnes Soulard da ACTO, que baseou a sua intervenção nos territórios e identidades regionais, como vectores de desenvolvimento no sector do Bem-Estar e nos cosméticos utilizados nos SPAS. "O posicionamento de um SPA e de um hotel não deverá separar-se do território onde está inserido", defendeu, observando que "apesar de Portugal ter um território bastante rico (Douro, Vinho do Porto, plantas selvagens alentejanas, etc), as empresas não valorizam ou aproveitam os produtos locais como poderiam". Agnes Soulard deu exemplos de algumas marcas que na sua estratégia têm em conta a sua identidade regional: a lavanda da L'occitane en Provence, a vinoterapia da Caudalie, e o óleo de Argan de Marraquexe. A responsável considerou que "é necessário aproveitar e amplificar o valor da marca em função das especificidades do território, porque além de ter impacto directo na sua promoção, propicia igualmente o desenvolvimento social e económico da região onde se insere".
NOVAS TENDÊNCIAS SPA
Helen Merchant, consultora internacional de SPA, apresentou as novas tendências dos destinos de SPA. "Fazer a diferença no negócio é passar a palavra sobre o produto com paixão, e oferecer além do SPA outros produtos na região onde se insere", observou Helen Merchant. A consultora alertou também para a necessidade de aposta em captar turistas das low-cost "que poupam no voo e gastam mais em produtos como o SPA". A responsável sublinhou ainda que "é preciso oferecer um produto de luxo acessível ao cliente, deve haver equilíbrio entre a qualidade/preço". Mais avançou que "a prevenção é a nova palavra de ordem para a saúde física e mental" e que "como tal deve ser aproveitada pelos profissionais". Esta especialista lançou algumas questões aos profissionais deste sector sobre o posicionamento da marca: "Qual é o seu posicionamento? Corresponde aos critérios para ser um destino de SPA? O seu SPA é único? O que oferece aos seus clientes? Quem são os seus clientes e de onde vêm? Quais são as expectativas dos seus clientes? Consegue responder a essas expectativas?". Helen Merchant convidou ainda à reflexão sobre estratégias de marketing e de comunicação: "É fundamental identificar os mercados e marcar os seus pontos diferenciadores. O seu SPA é de excelência? E a sua equipa e o SPA correspondem aos standards de terapia internacional? Consegue (e a sua equipa) comunicar com paixão o SPA?".
DESTINO WELLNESS
Pedro Cantista, da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica, também foi um dos oradores do seminário onde falou sobre a importância da contextualização no Turismo de Saúde, sublinhando que a Organização Mundial de Saúde define a saúde não apenas como a ausência de doença mas pressupõe a existência de bem-estar, e segundo o responsável: "Portugal tem excelentes condições para ser um destino de Saúde e Bem-Estar, e já tem uma longa tradição da marca com identidade, como a construção do primeiro hospital termal do mundo nas Caldas da Rainha ou a Madeira ter sido outrora o destino eleito pela princesa Sissi para tratar os seus problemas respiratórios", exemplificou. Pedro Cantista acreditou ser possível "o casamento entre os profissionais do sector - operadores turísticos, low-cost, etc - e os profissionais de saúde" no desenvolvimento de uma marca de Turismo de Saúde e Bem-Estar com identidade. "Morrer jovem mas o mais tarde possível", citou o responsável almejando "que passemos de doentes a turistas".
Melchior Moreira, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal - entidade que este ano apoiou financeiramente o Aquameeting - comentou que "eventos como este contribuem para solidificar o desejo de tomar o Norte no principal destino wellness do País". Recorde-se que "Saúde e Bem-Estar" é um dos sete produtos estratégicos prioritários na estratégia de promoção definida pela entidade regional, que o encara como fundamental para aumentar a estada média na região e gasto dos turistas. Além disso, Melchior Moreira considera que o Turismo de Saúde e Bem-Estar complementa outros produtos estratégicos para a região. Como tal, a entidade turística vai criar programas específicos e apostar em várias acções promocionais em colaboração com os privados. Texto: Sónia Gomes Costa |